O MODELISTA

Autores:  Juliana R. de Andrade,  Eliene Leandro de Araújo,  

 

O aposentado José Custódio Ferreira (75 anos), conhecido como Zé Pezão, morador da cidade de Franca, interior paulista, terra do calçado, vive descalço há mais de 40 anos. E adivinhe o que ele fazia para viver? Sapatos, é claro. Após trabalhar por mais de 30 anos no setor calçadista, não usar sapatos foi uma opção de vida. “Não fiz promessa nenhuma, mas, quando uso calçado, parece que estou amarrado. Tirá-los foi a melhor coisa que fiz na minha vida.” Não importa qual seja a ocasião: festas, casamentos, missas, lojas e até mesmo consultas médicas ele não se envergonha em andar descalço e nem ser confundido com um mendigo, doido ou ladrão.

Ainda menino, com seus 6 anos, aprendeu com seu pai o oficio de fazer sapatos e já demonstrava sinais de pés livres. Quando ia para a escola, saía de casa calçado, mas, no meio do caminho, tirava os tênis e os colocava no meio do mato para pegar de volta depois das aulas. “Tinha um esconderijo para deixar meus tênis. Chegava em casa com eles nas mãos. Não gostava de usar. Passava mal quando colocava nos pés.”

Quando adolescente foi contratado por uma fábrica de calçados, onde era obrigado a usar sapatos, mas assim que saía no portão da fábrica retirava-os rapidamente como se estivessem pegando fogo. Passou por todos os setores: expedição, chanfração, pesponto até se tornar, por ironia, modelista de calçados.

Em 2010, ele mudou-se para uma casa no Jardim Esplendor, zona sul de Jaú. Próximo à sua residência havia um curtume. Após alguns meses um mau cheiro começou a incomodar a sua família e todos os moradores do bairro, que reclamavam de dor de cabeça e náuseas. Chamaram a reportagem local e fiscais da Cetesb que constataram que o mau cheiro surgiu do contato entre raspas de couro armazenadas no local com a água da chuva. “Fizemos uma advertência ao dono do curtume, que se comprometeu a limpar o pátio”, disse o fiscal da Cetesb.

Diante da situação, seu Zé, sabendo que se o descarte das raspas de couro for para lixões comuns pode ocorrer a contaminação dos lençóis freáticos porque, em determinado pH e temperatura, o cromo utilizado durante o processo de bronzeamento do couro pode sofrer mudanças de valência, passando de cromo trivalente Cr(III) para o cromo hexavalente Cr(VI), um metal tóxico e altamente cancerígeno, e sabendo também que o descarte das raspas em lixões apropriados tem custo relativamente alto com o transporte dos resíduos (em torno de R$ 1500,00 mensal), sendo que cada tonelada saí em média R$ 88,00, entrou em contato com o dono do curtume para buscar uma parceria com o intuito de encontrar outro destino para as raspas de couro.

Após alguns dias, seu Zé recebe uma ligação do proprietário do curtume Sr. Alisson dizendo que ficou muito interessado em sua proposta e marcaram uma reunião.

Na reunião ficou resolvido então que seu Zé ficaria responsável em procurar entidades que poderiam ter uma solução para a reutilização das raspas de couro.

Vocês fazem parte da equipe técnico-cientifica da indústria com a qual o Seu Zé entrou em contato e devem propor processos viáveis para o reaproveitamento das raspas de couro e argumentar a favor de um deles.

 

 

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Material Complementar e Soluções para o Caso

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- o texto completo (contendo tópicos como: as fontes de inspiração, a teoria, os conceitos/habilidades/atitudes que se pretende contemplar a partir da aplicação do caso, as etapas sugeridas para a aplicação em sala de aula, as questões sugeridas para discussão e as soluções possíveis para o caso);

- a apresentação em Data-Show do caso e suas soluções.

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