MUNIÇÃO NA MAMADEIRA

Autores:  Maykon Lima Souza,  Gustavo Metzker,  

Dona Ana Maria era uma jovem mãe da década de 80 que morava em uma pequena cidade do interior de São Paulo com seu marido e sua filha de três anos. Nesta época uma excelente notícia chegou aos ouvidos da Dona Ana, uma grande empresa de plásticos do tipo policarbonato especializada em produtos para crianças seria instalada na cidade. Animada com a possibilidade de ampliar a renda familiar Dona Ana se candidatou a uma vaga.

Passados alguns anos no trabalho, a estabilidade financeira da família possibilitou a realização de um desejo antigo da Dona Ana: "quero ter um segundo filho". A essa altura a primeira filha do casal, que se chamava Aline, já tinha completado seus treze anos de idade e se encontrava em plena puberdade. O nascimento de outra filha trouxe ainda mais felicidade para a família, no entanto os tempos eram outros e o trabalho na fábrica consumia muito do tempo da Dona Ana, obrigando-a a amamentar sua filha recém-nascida quase que exclusivamente por meio de mamadeira.

Com prosperidade a família da Dona Ana seguiu sem maiores problemas até que, ao completar nove anos de idade, a filha da Dona Ana apresentou algumas mudanças inesperadas em seu corpo. Assustada Dona Ana levou-a ao Dr. Paulo, um respeitado médico da cidade:

Dona Ana: Dr. Paulo o que há de errado com minha filha?

Dr. Paulo: Não sei como explicar, mas os exames indicam que sua filha entrou na puberdade.

Dr. Paulo ficou ainda mais intrigado quando verificou que várias outras mães, com filhas com idades próximas, estavam relatando o mesmo problema e que, coincidentemente, a maior parte delas trabalhava na fábrica de plásticos. Buscando uma resposta, Dr. Paulo, por meio de um levantamento, fez duas observações importantes: primeiro, antes da inauguração da fábrica o início da puberdade nas jovens variava entre 12 e 14 anos; segundo, o tempo de amamentação por parte das mães havia diminuído drasticamente devido ao trabalho, sendo a utilização de mamadeira prática comum.

A partir da leitura de um artigo cientifico, Dr. Paulo chegou à conclusão que, possivelmente, o vilão por traz de tudo se chamava "bisfenol A", uma molécula utilizada para produzir plásticos do tipo policarbonato. Estudos mostravam ser esta uma molécula que mimetiza o hormônio feminino estrogênio e podia ser liberado de recipientes plásticos quando em contato com alimentos.

Em um encontro com o prefeito Dr. Paulo falou: "Senhor Prefeito tenho que lhe falar sobre um assunto de extrema importância. Nossa população está sofrendo de um grande risco à sua saúde".

Conscientizado da gravidade do problema, porém, não esquecendo a importância econômica da fábrica, o prefeito da cidade, juntamente com o administrador da fábrica, solicitou a professores de química da USP alternativas que permitam a continuação das atividades da fábrica e ao mesmo tempo evitem a contaminação das crianças por bisfenol A.

Vocês fazem parte da equipe dos professores de química que deverá buscar soluções para o problema e argumentar a favor de uma delas.

 

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