HORMÔNIOS FEMININOS NAS ÁGUAS DA BACIA DO RIO ATIBAIA

Autores:  Murilo Teodoro Martinez,  Dyovani Coelho,  

Estudos realizados desde 2002 até os dias atuais sobre a qualidade da água em rios da região metropolitana de Campinas revelam a presença de hormônios sexuais em concentrações relativamente elevadas nas águas superficiais da região. Nas águas da bacia do rio Atibaia foram identificados os hormônios progesterona, estradiol e etinilestradiol, além de outros compostos farmacêuticos e industriais. A média de hormônios femininos encontrados na água potável de Campinas é de 1,0 µg.L-1. O fato é preocupante, pois não há dados conclusivos sobre os danos que o homem pode sofrer a partir da exposição crônica a esses compostos.

Suspeita-se que problemas, como o enfrentado pelo Sr. Antônio Diniz, um piscicultor da região de Campinas, podem ter ligação direta com a presença desses compostos na água: dois anos atrás ele observou que sua matriz produtiva gerava uma quantidade menor de alevinos. Com o tempo, observou ainda uma feminização dos peixes machos. Intrigado com tal situação, o piscicultor foi até a Universidade Estadual de Campinas perguntar sobre o assunto:

- Bom dia, eu queria saber quem pode me explicar um fato. Sou piscicultor e há um tempo venho notando o nascimento de uma menor quantidade de alevinos em minha propriedade. Outra coisa curiosa que está acontecendo é que os peixes machos estão se comportando como fêmeas. Não sei porque isto está ocorrendo.

O Sr. Antônio foi encaminhado para conversar com um dos professores do Instituto de Química, o Professor Flores, que ao ouvir o piscicultor, disse:

- É Sr. Antônio, sua questão é realmente um tanto complexa. É conhecida a ocorrência de hormônios femininos na água da bacia do Rio Atibaia, a mesma água que você usa em seu empreendimento. Provavelmente estes hormônios estão influenciando a sexualidade de seus alevinos. O senhor faz algum tipo de tratamento na água antes de usá-la em sua propriedade?

- Sim. Eu faço uma filtragem em caixa de areia.

- Sua propriedade fica a jusante da Estação de Tratamento de Efluentes de Campinas (ETE) e já sabemos que o método que eles utilizam não é eficiente para remoção desses hormônios. Pode ser que a filtragem que o senhor utiliza também não seja eficiente. O senhor terá que aguardar um tempo para que possamos realizar um estudo aprofundado sobre a questão. Entrarei em contato quando tiver uma solução.

Vocês fazem parte do grupo de pesquisa do Professor Flores. Cabe a vocês a missão de propor métodos eficientes para remoção de interferentes endócrinos em ETEs e Estação de Tratamento de Águas (ETAs) e argumentar a favor de um deles.

 

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