BIOMARCADORES TUMORAIS

Autores:  Anderson Fiamingo,  Renato Sousa Lima,  

A incidência do câncer tem crescido significativamente no contexto mundial em consequência direta às transformações globais ocorridas nas últimas décadas, bem como a urbanização acelerada e os novos modos de vida e padrões de consumo.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são registradas aproximadamente 130 mil mortes anuais, um número menor apenas quando comparado ao das doenças cardiovasculares. No âmbito econômico, em 2009 os gastos federais no Brasil com assistência oncológica aumentaram em 103% com relação ao ano de 2000. Neste cenário, o diagnóstico precoce é de relevância fundamental na medida em que auxilia nos prognósticos médicos, conferindo maior possibilidade de cura aos pacientes mediante tratamento terapêutico medicamentoso e/ou cirúrgico e menores gastos públicos.

As técnicas convencionais empregadas para detecção de células cancerígenas envolvem biópsia e posterior exame do tecido removido, utilizando-se fixação celular e estudos sobre a morfologia das células. Esses testes não são individualmente conclusivos, envolvem subjetividade em suas análises, são extremamente invasivos e não permitem o diagnóstico precoce da doença. Uma alternativa a esses inconvenientes é o uso de biossensores para detecção de biomarcadores em fluido biológico. Tal plataforma de análise apresenta facilidade de operação, baixo custo, prescinde a realização de etapas de preparo de amostra e, desde que o nível do biomarcador esteja correlacionado com o estágio patológico, possibilita o monitoramento da doença.

Adicionalmente, os biossensores possibilitam a determinação de multianalitos; a detecção de diferentes biomarcadores, sequencial ou simultânea, aumenta o poder de diagnóstico dos métodos analíticos uma vez que os biomarcadores, em geral, não são específicos a um tumor em particular, mas a uma série deles.

No Brasil, os hospitais credenciados pelo Serviço Único de Saúde (SUS), segundo dados do INCA, operam mediante técnicas convencionais para o diagnóstico de cânceres. Neste contexto, o então ministro da saúde, João Carlos Linz, tem mostrado interesse na implementação de biossensores tumorais na rede pública de saúde em substituição às técnicas convencionadas utilizadas até o momento. Para tal, objetivando auxílio e suporte científicos para uma tomada de atitude a respeito do tema, o ministro fez uma reunião com dois pesquisadores especialistas na área, Dr. Isaac Victor e Dr. Fernando Albuquerque, professores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC/USP):

- Bom dia senhores! O motivo dessa reunião está associado a uma tentativa em agilizar o serviço do SUS no tocante à rapidez, eficiência e comodidade, dentre outros parâmetros, do diagnóstico de câncer. A questão é a seguinte: (atualmente as técnicas convencionais...). – Explica o ministro João Carlos Linz.

- A ciência clínica dispõe atualmente de alternativas potenciais a esses métodos de análise convencionais. – Fala o Dr. Isaac Victor.

- Exatamente! Uma das áreas mais promissoras neste cenário é o uso de sensores químicos para determinação de biomarcadores. – Completa o Dr. Fernando Albuquerque.

- Essa alternativa é abrangente e existem diversas possibilidades nessa área. – Fala o Dr. Isaac Victor.

- Sim! Há várias possibilidades as quais dizem respeito à constituição e à rotina de análise dos biossensores. – Explica o Dr. Fernando Albuquerque.

- Pois bem, venho a solicitar dos senhores um relatório descrevendo uma metodologia alternativa baseada em biossensor para determinação de antígenos marcadores de câncer. Ressalto a preferência por métodos baratos, rápidos, de simples manipulação e que consumam quantidades pequenas de reagentes. Essas características adicionais serão de suma importância em uma etapa posterior de aceitação na câmara e no senado. Os senhores aceitam a proposta? – Pergunta o ministro João Carlos Linz.

- Certamente! Qual o prazo para entrega desse relatório? – (Dr. Isaac Victor).

- Pode ser de 20 dias? – (ministro).

- Sim! – (Dr. Isaac Victor).

- Sim! – (Dr. Fernando Albuquerque).

- Então marquemos uma nova reunião para daqui há 20 dias; discutiremos sobre as vantagens, limitações e viabilidade de execução da alternativa a ser adotada. Bom dia! – Fala o ministro.

- Bom dia! – (Dr. Fernando Albuquerque).

- Bom dia! – (Dr. Isaac Victor).

Vocês são os pesquisadores responsáveis pela proposição da alternativa ao ministro da saúde e, como estudantes de química, precisam mostrar a ele duas possíveis metodologias de mitigação do problema, apontando a mais viável.

 

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