A PRÓPOLIS DO SENHOR BUCHINSKI

Autores:  Fernando Lindo Silva,  Barbara Bernardim de Souza,  

Bolislaw Buchinski, de origem ucraniana e com seus sessenta e poucos anos, é um apicultor respeitadíssimo da cidade de Prudentópolis, no interior do Paraná. Esta pequena cidade, com 80% da população descendente de imigrantes ucranianos, além de evidenciada pela vasta riqueza cultural, também se destaca pela variedade de suas cachoeiras gigantes (mais de 100 catalogadas). Mas, é por ser conhecida como “Capital do Mel”, que esta região sempre foi motivo de muito orgulho para a família do senhor Buchinski.  Junto com sua esposa, Parashka, e seus filhos, Marishka, Estashka, Josafat e Joséfa, ele construiu um dos maiores apiários da região de Prudentópolis: Buchimel.

O apiário Buchimel produz os mais variados derivados apícolas, desde mel (com guaco, eucalipto e menta), geleias reais, cera de abelhas e até mesmo cachaça. Mas, o grande responsável pelo sucesso de vendas sempre foi a famosa Própolis do senhor Buchinski, conhecida na região como um “santo” remédio multiuso.

A própolis é um produto natural fabricado pelas abelhas Apis Mellifera a partir de substâncias coletadas de diversas partes das plantas, como por exemplo: ramos, flores, pólen, brotos florais e exsudatos resinosos. Essas resinas são transportadas pelas abelhas e depositadas em suas colmeias, as melgueiras, onde recebem suas secreções salivares. Essa combinação dá origem ao produto, que é rico em aminoácidos, vitaminas e bioflavonoides, tornando a própolis um poderoso antioxidante com ação antibiótica.

Durante muito tempo em Buchimel, as resinas coletadas pelas abelhas eram depositadas em grandes caixotes rústicos de madeira. Ainda que pouco recomendados como melgueiras, a produção do senhor Buchinski sempre foi muito alta, e a sua qualidade, de ponta. Entretanto, a inauguração de uma nova apícola nas redondezas de Prudentópolis estava começando a prejudicar Buchimel. ApiPrudi, do senhor Shafranski, era equipada com as mais modernas melgueiras do mercado. Compostas por fibra de vidro, as colmeias ApiPrudi estavam realmente dando o que falar.   

 Preocupado com a sua reputação, senhor Buchinski resolveu fazer uma grande reforma no seu apiário. Maior espaço, contratação de novos funcionários, novas colmeias... Ele chamou todos os seus filhos, vizinhos e amigos para a construção de um novo “barracão” Buchimel. Enquanto Parashka, Marishka, Estashka e Joséfa eram responsáveis pela limpeza e organização, Josafat, seu filho mais velho, não conseguia desviar a atenção dos velhos e rústicos caixotes de madeira:

Josafat: - Máin, esses caxote tão muito véio e sujo máin. Temo de fala pro páin compra as colmeia importáda que néin as do senhor Shafranski.

Parashka: - Pois é fio, eu já falei pro seu páin, não tem “quiboa” que limpe esses caxote. Já tentei lavá até cos sabão que a máin fáinz das banha dos porco e das galinha, mas muito incardido fio, não sáin.

Josafat não teve sossego enquanto não convenceu seu pai a se desfazer dos velhos caixotes. O senhor Buchinski, convencido, comprou novas melgueiras de ferro. O “barracão” estava pronto. A produção de própolis triplicou. As vendas nunca estiveram tão boas e Buchimel recuperara seu tão famoso título de apícola número 1 de Prudentópolis. Entretanto, alguns meses se passaram e novamente os problemas apareceram. Vários vizinhos e fiéis consumidores que há anos tinham os produtos do senhor Buchinski como sendo o melhor remédio para todas as dores, começaram a fazer reclamações. Um deles, o senhor Casemiro, chegou a Buchimel para ter uma conversa séria com o senhor Buchinski:

Casemiro: - Ô cumpadre, que acontecendo com essa própole cumpadre? Não vale mais nada!! Lá em casa todo mundo passando mal, a Lubina e as criança tão tudo nas disenteria, meu coração parece que váin saín pela boca. Não téim mais remédio que chegue.

Senhor Buchinski: - Ai cumpadre, se não é o primeiro que véim reclamá. Eu não séim o que pode não cumpadre. Mas vo falá cá minha fía Joséfa que trabáia lá nas Garapáva ve o que téim nessa própole Casimir. Pode ficá tranquilo, fala pra Lubina bastante leite pás criança desintoxicá.

Era grande o “falatório” sobre a própolis contaminada do senhor Buchinski. As suspeitas caíram sobre tudo em Buchimel: muitos vizinhos chegaram a dizer que as abelhas estavam enfeitiçadas a mando do senhor Shafranski. Mas, após muita especulação, tudo indicou que o grande problema foi a troca dos caixotes de madeira pelas telas de ferro.

Seria a troca das melgueiras de madeira por melgueiras de ferro responsável pela intoxicação? Você é amigo de Joséfa, estuda química em Guarapuava – PR, e está disposto a ajudar a família do Senhor Buchinski a descobrir o que causou a contaminação da própolis e solucionar o problema. Apresente pelo menos duas soluções que possam identificar o problema da contaminação argumentando a favor de uma delas.

 

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